sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

IDEOLOGIA DE VIDA



Amo a vida... antes de tudo.
Pois ela é simples, efêmera e inexplicável.
Um infinito de sentimentos e coisas.
Tudo que está ao meu redor é vida.
Tudo que não está também é vida.
Com tais premissas, chego a uma conclusão:
amar a vida é amar a todos.
Então, se amo a vida, sem receios digo:
- Eu te amo, pois fazes parte da minha vida.
Este é o meu silogismo.

(Primeiros Momentos, 2001)

PESSOA CULMINANTE

                                                                                                                                                  

És a ventura predestinada,
que renascerá tudo que tenho para executar,
para que, em minha partida,
saiba o que fiz e realizei...
Agora sei que nasci contendo essa ramificação,
que é cruzar o teu caminho e, um dia, ser teu parceiro.
Minha querida, se nossa paixão
não tiver sido escrita,
Esculpi-la-emos no abstrato.

(Primeiros Momentos, 2001)

SIMPLES SENTIMENTO



Queres avistar a vida,
e a vida é a Lua, simples em ver-se.
Mas, para isto, terás que se reencontrar.
Terás que mirar para trás do Sol.
Esta luz tens que apagar,
para que o sorriso volte
a brilhar em teu semblante,
pois ser Lua é amar, simples sentimento.

(Primeiros Momentos, 2001)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SUJEITO INDETERMINADO


“porque, a rigor, só existe para
 o ser humano uma questão:
- Ser ou não ser traído”
Flor de obsessão, de Nelson Rodrigues.
Disseste–me que era distante,
mas que sentia somente o bastante.
Em mim vias um porto à fama,
um loquaz a quem a maioria ama.

Viste um penetrante com sua retórica.
A gesticulação e o som numa sublime maestria.
O alvo é selecionado conforme a sinfonia.
A glória da conquista só relata a metódica.

Família recatada, comprovei o que me dizias.
Amor e fidelidade sempre prometias.
Um engano, um equívoco, tu te traias.

Traição imaginável, um erro na trama imagino.
Eu, tu e... mais alguém? Se delatou-me consciente da culpa.
Quem? Esse alguém... um amigo.
23/06/99

(Primeiros Momentos, 2001)

CAOS


 “Assim, o Deus poderoso, ardente de vida,
faz do caos o homem, a mulher, os astros.”
A estética da vida  – GRAÇA ARANHA.

Mulher na face, mulher na alma, mulher na cama...
Pusera-se sobre meu espírito revestido de carne acalantinada,
Despojando-me de seus enfoques sexuais,
Dilacerando o meu oculto pensaroso coração.
Onde a libido habita à espera de um despertar à libação.
Obriga-me a beber o líquido que proporciono ao seu corpo,
Mas espontaneamente o prazer me afoga nele.
Desejo deitar-me para o amor,
E perecer com o corpo em chamas da ardente paixão,
Que arde sem queimar, pois através do psicológico
Torturo-me crendo no que procurava evitar.
Mulher que relaxa na face o coliseu afrodisíaco
Da perfeita fêmea que me aquece com seu lôbrego veneno,
Que eu mesmo incitei.
Não me importa, quero mais é deliciar-me nesta fonte
De juventude que brota do seu forno,
Que é tão quente quanto o da deusa Paz.

(Primeiros Momentos, 2001)

domingo, 2 de dezembro de 2012

CRÔNICA DO ENCONTRO COM O AMOR


AMANHÃ EU TEREI UM ENCONTRO. Há um mês voltamos a nos falar. Entretanto, não foi de forma presencial. Coisa da atualidade. Internet. Bate-papo virtual! Poxa, como a conversa por escrito foi boa. Fiquei radiante. Marcamos;  o dia é amanhã. Exposição de arte e de antiguidades. Almoço e chopes, beijos etc... e o futuro. E tudo isso num momento oportuno. Estou na rua e em condicional faz um mês e pouco. Não soube dela nem ela de mim durante esse tempo. Me envolvi numa encrenca da qual não fui culpado. Todavia, tive de assumir a responsabilidade daquilo que julgava errado. Assumi a culpa, dei minha palavra. Assim peguei uns anos preso. Xilindró. Tenho as marcas vivas ainda no corpo e na memória que nem seleciono. O pior é que sequer tive como explicar-lhe o ocorrido, enfim, a vida... Antes de minha reclusão imposta, envolvemo-nos intelectual e afetivamente. Mas nunca houve contato físico... sequer um beijo. À verdade, todo envolvimento foi muito subliminar... em insinuações, em disse-mas-não-disse, toda uma alegoria amorosa tomou-nos almas e mentes. Relacionamento sublime. Puro. Lindo. Elevado. Idealizamos um namoro magnífico. Somente os amigos cantores Neguinho da MPB e Mc Porquinho do Funk sabiam. “Começaria tudo outra vez... a chama em meu peito ainda queima... nada foi em vão”. Porém, fui enclausurado e não nos falamos mais... aliás, ela não me respondeu mais emails e cartas que enviava do xadrez. Triste, mas resignado. Vida que segue. Foi o fim.

HOJE EU TENHO UM ENCONTRO. Há dois anos não a vejo. Como estou ansioso! Mas estou atrasado. Sapato rasgado? Ué?! Como assim? É novo, imaculado! Tenho há um mês e pouco. Como me dissesse: “Já tô cansado de embelezar e sustentar seu corpo. Não comungo mais de seus caminhos”. Loucura de pré-encontro e de quem está atrasado e nervoso. Pareço ir de catamarã em plena Linha Vermelha. Chegado à Praça XV, olho a imponência de Dom João VI no centro da praça contrapondo-o à imagem receptiva do Almirante Negro, localizado à periferia da mesma (tão à margem que poderia cair na margem das águas se o Cândido tivesse vertigem)... esse outro João que há poucos dias estava numa base com a parte de trás sem nada, aparecendo os tijolos e toda suja de fezes. Um João montado a cavalo segurando uma insígnia da igreja, outro João a pé de braço direito levantado e esquerdo com um timão. Um João branco no centro, outro João negro à margem. Na feira, vi máscaras africanas, grilhões e, juro, um cinto de castidade! Sinto castidade? Nenhuma pureza, só cinismo e devassidão. Acerca dos apetrechos do tempo da escravidão, não entendo por que se encontravam à venda, mas tudo bem. Torpedo no celular: “Cheguei”. Abraço apertado, demorado e saudoso de carinho que não conhecemos, e que esperávamos. Pública reciprocidade na afável interlocução. Estamos radiantes. A conversa é deliciosa. As risadas são sinceras, gostosas e soltas no excesso. CCBB. A exposição de arte é simplesmente magnífica. O Impressionismo, com sua busca pelo verossímil nas obras de Renoir e Monet, preenche um vazio que nunca sei que possuo. O Expressionismo, com o glamour do colorido de Van Gogh, preenche o possuo que é um vazio. Táxi! Lapa. O passeio pelas antiguidades na rua do lavradio foi imbatível. Almoço. Restaurante Antonio’s. Entrada: duas empadas, uma de bacalhau e outra de carne-seca; principal: salmão grelhado ao molho de camarão com arroz de brócolis. Tudo romântico... até que o ideal vira o real. Ela: “Uma pergunta: por que não disse pra mim que seria preso?” “Concorda que tudo foi pior para mim?” “Por acaso algum dia você se importou...” “Você foi. Eu fiquei”. Mais e mais e mais. Um turbilhão. Ouço coisas do gênero lorenzetti ducha fria: “tenho ficante-quase-namorado, estou em outra fase, sou outra, sofri muito, perdi a esperança de encontrar a felicidade no outro, estou mais sóbria sobre meus sentimentos”, resumindo, você “foi um rio que passou em minha vida”... PQP! Que decepção! Eu todo empolgado com o samba de malandro que soava... feliz acerca de um upgrade que daria na minha vida com nosso possível relacionamento. “Meu mundo caiu”. “Fato consumado”. “E me calo com a boca de feijão”, ops, de salmão. Explico o medo que tive à época. Arrependo-me das escolhas do passado. Assumo a responsabilidade das consequências. Conversa séria e franca. Canto sangrando: “Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda... É apenas o meu jeito de viver o que é amar”. A realidade é que o sonho acabou e o amor também, aliás, não acaba o inexistente. Ruptura. É dura, consistente e irredutível. Calada, esperou durante esses anos para no dia de hoje finalizar a quimera que vivemos. Não se segue adiante sinceramente se as pendências do passado não são sepultadas. Uma vez eu fiz um poema sobre isso: o luto deve ser vivido. Vamos embora. Estou decepcionado e triste. Autoestima zerada. Mas resignado. Vida que segue. É o fim.

ONTEM EU TIVE UM ENCONTRO. E estou feliz. Nada aconteceu como eu imaginava, ou melhor... idealizava. Pensava que pudesse ser a chance da reabilitação. Não foi. O tempo passa. Nada melhor do que um dia após o outro. As escolhas tornam as consequências implacáveis. Mas tirei um grande aprendizado. Foi um insight. Pela primeira vez reflito sobre a existência das consenquências. “Meu tempo é hoje”, meu tempo é o agora. Uísque e Paulinho: "Eu deixo em aberto / meu saldo de sentimentos / sabendo que só o tempo / ensina a gente a viver". Só existem as escolhas. Descobri que posso assumir um compromisso comigo mesmo. Eu ainda a amo pelo simples fato de minha vida ser um carnaval. Seja minha Portela, aliás, minha Beija-Flor... "minha escola, minha vida, meu amor". A felicidade no samba é minha sina. Viva o samba! Eu ainda a amo porque ela é o espelho que idealizei minha versão feminina. Eu ainda a amo porque sou eu o objeto de meu amor. Ela foi o espelho que refletiu minha imagem. A vida ensinou-me em sua oficina a dominar a arte de reinventar e de resistir. Perseverança. Aprendi a gostar de gostar de amar e de me apaixonar. Áries alimenta-me de paixão. “Meu coração tem manias de amor”. Mas “amor não é fácil de achar”. Reconheço minhas escolhas e as assumo. Não tenho raiva nem ressentimento. Estou maduro. Se eu amar-me por nós, o rio não secará. O meu rio, rio de tudo. Sou feliz. Meu amor por ela é pelo que de mim nela deposito. Eu a amo porque me amo e não preciso que ela saiba disso. Não estou resignado. A estrela Gonzaguinha, que fica na constelação plêiade à esquerda, brilha em alerta: “o caso de vocês é uma porta entreaberta: há um lado carente dizendo que sim e a vida gritando que não”. Pessoa, na pessoa de Bernardo Soares, meu guru, meu filósofo, meu psicólogo, aconselha-me: desassossegue-se! Estou vivo. É a autossuficiência do amor. Vida que segue. Será o fim (rs)?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

SAUDADE COMO ARTE

Saudade da mulher que eu amei
E que nos meus sonhos eu criei
Mas... que nunca me amou
Minha solidão
Idealizou a paixão.

Saudade da inocência de outrora
Quando eu fiz de penhora
O meu pobre coração... sofredor.

Saudade da ilusão que eu tive
Da tão sublime emoção
Que me cegou a razão

Saudade do instante tão sonhado
Do desejo de amor
que me prende ao passado

Saudade
Saudade da mulher que eu amei
E que nos meus sonhos eu criei
Mas... que nunca me amou
Minha solidão
Idealizou a paixão.

Ter saudades do passado
Pode ser do que aconteceu
Ter saudades do futuro
É querer sonhos do meu eu.

Saudade é dor que invade
Um peito que em chamas arde
Não importando a idade

Saudade
Saudade preenche a vida
Que ainda não foi vivida
Como uma obra de arte

Saudade da mulher que eu amei
E que nos meus sonhos eu criei
Mas... que nunca me amou
Minha solidão
Idealizou a paixão.

Essa saudade cresce agora
Quando em versos ou em prosa
Anotados em samba-canção
Violo e rabisco a vida
Ferindo mais
meu coração.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

INFINITO HORIZONTE


A vida é uma estrada aberta
por onde procuramos caminhar
passo a passo, sem medo e receios vãos.
Que nosso semblante seja de paz e esperança!
A força do amor ajuda-nos a superar
os erros e cansaços, fazendo-nos
renascer a cada instante de um passo.

(Primeiros Momentos, 2001)

NÃO TEM JEITO... É ASSIM MESMO


Amar é assim mesmo...
É laço de fita que nos une.
É luz que nos inquieta.
Guarda-nos na lembrança e nunca esquece...
Segue nossos passos, grita nosso nome.
Bate à nossa porta, insiste de fora.
Corre à nossa frente e nos espera no fim.
Padece à nossa ausência e sempre nos dá força,
para recomeçarmos tudo de novo.

(Primeiros Momentos, 2001)

MATERIAL TRANSCENDENTAL

Se toca... só sente.
Se vê... só cheira.
Se limita... ultrapassa os limites.
Transcende os horizontes.

Quer provas... suas explicações tornam-nas
Concretas... incompreendida; limita-se à mente.

Estagna... transcende ao éter,
Nas razões... da paixão.

É morte... É vida.

(Primeiros Momentos, 2001)

ENCONTRO


Data. Espera. Dia. Tardinha. Pessoas. Ansiedade.


Cinema. Presença. Nervosismo. Mesa. Chope. Risos.


Belos. Timidez. Caminhada. Parque. Gostos. Brinquedos.


Preferências. Silêncio. Gritos. Doideiras. Tontos. Medos.


Conversa. Banco. Pizza. Música. Opiniões. Indecisos.


Decisões. Rua. Ônibus. Tchau. Distância. Saudade. 

(Primeiros Momentos, 2001)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

RITUAIS

Tudo na vida é feito de rituais.
Os rituais são muito simples e quase imperceptíveis.
Eles nos passam de uma etapa para outra;
se uma etapa não for concretizada, as seguintes não terão efeito.
Os rituais são usados no cotidiano de qualquer um.
São, na realidade, nossos hábitos.
Trazem muito prazer, concentração e liberdade.
Reequilibram o psíquico, o material e o espiritual.
Não são prisões, regras e princípios.

O amor também é feito de rituais:
o de um ser humano pelo outro.
O beijo de agradecimento após um elogio,
o obrigado após um favor ou uma cordialidade.
Tudo isso numa sequência gradativa:
desde a hora de marcar o encontro
até a última despedida, após o amor.
Na realidade é uma gradação instável,
como o da cobra que luta para morder sua própria cauda
e, depois que consegue, solta-a para recomeçar tudo de novo.

A prática dos rituais é erótica.
Não o erótico ligado somente ao prazer sexual,
mas também ligado à força pela vida.
Nela os planos do afeto não são uniformes.

Quem não faz um ritual de luto, individual,
fica deprimido, preso, tendo algo vivo que já morreu.
A falta de noção da morte causa a melancolia permanente.
O choro é o ritual de galardão ao que desce à mansão de Hades, que morre.

A morte é o fim da vida,
perda de uma vida, nossa,
e sem a noção de perda não há liberdade.
Então, sinto que estou preso à minha vida.

(Primeiros Momentos, 2001)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SOL... VIDA



Venhas ver o Sol.
Ele é belo em todas as formas.
Não cansa de iluminar
Teu rosto, tua casa, tua vida.
Ele é vermelho? Amarelo?
Não importa a cor,
Seu brilho traz vida,
Vida que desperta outras vidas.
Não é egoísta, é fraterno,
Faz escala com a Lua,
E não sente inveja da irmã romântica...

(Primeiros Momentos, 2001)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

HUMANO... HUMANIDADE

Espécie rara,
Surpreendente, cruel...

Tuas atitudes genuínas
e vis
marginalizam-te.
Humaniza-te!

Humano... Humanidade
À procura do tudo.
Tão completo, mas só nada fazes.

És tão pequeno
diante de ti mesmo,
porém grandioso
em tuas belezas
imaginárias e reticências.

Cresce, Humano... Humanidade.
Tenhas a pureza das águas,
que retrata o fundo de um lago.

Oh! Humano... Humanidade!
Espécie rara, surpreendente, gente.

(Primeiros Momentos, 2001)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SABEMOS QUEM SOMOS

A maldição, infelizmente, é uma benção
na boca de quem ama a ignorância,
porque não tem palavra, tem arrogância,
para dizer o que tem em mente, em vão.

O homem, que não tem nada a perder,
é a mais perigosa, deste mundo, criação.
Em qualquer sociedade, dez desses precisos não são
para a transformação, para o mundo padecer.

A prisão de nossa mente é predominante,
mas procuramos não ter medo da cultura dominante.
O que ela fará conosco? O quê?
Que já não tenha feito. O quê?

Ensina que os negros viviam em cavernas,
que se balançavam em cima das árvores.
Que os índios eram selvagens aborígines,
enquanto os brancos eram, dos cantos da Terra, patriarcas.

O índio não era selvagem em sua própria concepção.
Os negros nunca aquilo fizeram.
Os negros uma raça de reis eram.
Enquanto os "brancos" rastejavam na Europa; quem são?

Quase tudo que você sabe hoje a dominante ensinou.
Adorar um Jesus loiro e de pele clara, aceitou.
Mas Jesus era judeu, pés de bronze tinha
e cabelos como a pele de um carneiro mantinha.

Se a dominante joga–nos o osso,
então devemos esquecer 500 anos de opressão?
Deixa–nos cantar, sorrir, dançar, sendo oneroso.
Depois deixa um marginal à sociedade
adentrar a Universidade por uma seleção.
Mas isto não anula o maior crime da história.

Ver com os olhos livres: a realidade.
Ler por trás das palavras: a iniquidade.
Conquistar dela o que não temos: equidade.
Para saber o significado real da palavra: integridade.

Nenhum de nós é Deus para dizer
quem é bom ou mau no seu viver,
impondo uma verdade a crer,
e punindo a quem seu mandamento não obedecer.


(Primeiros Momentos, 2001)

IMAGEM VIRTUAL


“No amor basta uma noite para
fazer de um homem um Deus.”
PROPÉRCIO.

Longe de ti, persuasivo, sou nada.
Tudo me inquieta sem razão aparente.
Absorto, logro tua imagem alucinada,
Que calada me rebusca subitamente.

Ao meu alcance, sem dizer nada, abraça–me.
A calefação deixa-me delirado.
Da minha consciência, inebriado, perco–me.
Em meu perjúrio, deleito–me transviado.

Escuto palavras para cessar.
Em desatino, encaro o receio.
Meu corpo desacata as ordens para parar.

Num ímpeto, obedeço minha mente.
Estatelando–me contra o nada, digo:
- Peguei–me pensando em ti, novamente!

(Primeiros Momentos, 2001)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

É...

É por ter visto a luz dos teus olhos,
Luz que não sei definir,
Porque luz só...
Luz vinda de ti,
Chama, relâmpago, luar...

É por ter contemplado o teu ser,
No teu movimento, no teu esquema,
Na tua parábola...

É por ter sentido o teu imã,
Tua essência,
Tua vibração...

É por ter ouvido a tua voz,
Teu rumor, teu som,
Teu eco...

É por ter captado tua anunciação,
Teu signo, teu enigma,
Teu dogma...

É por ter parado ao teu aceno,
E recebido de tuas mãos... a profecia...

É por isso,
Só por isto,
Sinto-me atraído.
E o meu coração
Oculta o encantamento.
04/98

(Primeiros Momentos, 2001)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NOVAMENTE...


Preciso falar, mas quem me ouvirá?
Alguém precisa da minha voz, mas quem me entenderá?
Será somente o vento que percebe a minha presença?
Minha aparência todos veem,
e minha sensibilidade, fragilidade, quem sentirá?
Demonstrei toda emoção, apaixonei-me.
Meu coração sorria com os lábios.
Meu coração ainda sorri... calado e inexpressivo.
Naquela noite festiva,
meus olhos calaram minha emoção,
dizendo com profunda tristeza:
- Não se parta, seja forte.
O coração chorou imensamente, porém foi forte.
Guardei a emoção, a paixão.
Será somente o vento que perceberá.
Muito busquei... seria essa a última paixão...
à qual meu coração tanto se abria?
Mas se fechou.
Encontrei uma amiga distante no meio de tantas pessoas.
Ela abraçou-me fortemente, dizendo:
“- Você está triste? Não me engane. Onde está o seu brilho, a sua alegria?”
Naquele momento, chorei por dentro,
porque queria o carinho dela.
Somente ele e o vento conhecem minha magia.
Sentem minha sensível e frágil alma.
Poucos me percebem, pois guardo tais momentos,
reservando-os como depósito,
para o meu sentimento de amor.
05/98

(Primeiros Momentos, 2001)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

SAGRADA TAMARINEIRA DO CACIQUE DE RAMOS



No Cacique de Ramos, temos o verdadeiro culto à cosmovisão da ancestralidade africana e afro-brasileira. A árvore da tamarineira é a representação viva da essência divina que resiste e nos protege há anos. É a representação do herói ancestral, o samba, que nos alegra e conforta. 

Que essa árvore tenha suas raízes cada vez mais firmes e embrenhadas no solo profundo de nossa consciência, para que nossa cultura em nós seja mais forte e resistente. Que o respeito à natureza, como representação de uma partícula de Deus, faça o homem também se respeitar como representação do mesmo.

Meus respeitos, Tamarineira. Eu a saúdo! Que eu tenha humildade e sabedoria para ensinar aos meus descendentes o respeito que devemos ter.

Saudades do poeta Luiz Carlos da Vila...

Doce refúgio

Sim... é o Cacique de Ramos,
Planta onde, em todos os ramos,
cantam os passarinhos nas manhãs
Lá o samba é alta bandeira
E até as tamarineiras são da poesia guardiãs

Seus compositores aqueles
Que deixam na gente aquela emoção
Seus ritmistas vão fundo
Tocando bem fundo em qualquer coração
É uma festa brilhante
Um lindo brilhante mais fácil de achar
É perto de tudo, é ali no subúrbio
Um doce refúgio pra quem quer cantar

É o cacique pra uns a cachaça pra outros
A religião
Se estou longe o tempo não passa
E a saudade abraça o meu coração
Quando ele vai para as ruas
A vida flutua num sonho real
É o povo sorrindo e o Cacique esculpindo
Com mãos de alegria o seu carnaval
É o Cacique.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

QUANTO TEMPO PASSA...



As pessoas se descobrem.
Os dias vão e vêm
e os sentimentos amadurecem.
Quanto tempo passa...
E as pessoas se conhecem.
Os dias vão e vêm.
E o vento do destino
leva-as pra lá e pra cá,
brincando de pique esconde.
As pessoas passam por perto
e não se encontram, não se veem.
Pisam, respiram o mesmo espaço dimensão - limite.
No entanto, não se encontram,
mas dá pra sentir o aroma que fica.
Dá pra sentir, de maneira cigana,
que as pessoas vão e vêm... pra lá e pra cá.
Impressionante como os sentidos,
os radares, captam os ectoplasmas
dos seres queridos onde o vento
brincalhão não deixa encontrá-los.
Tão perto, mas como distante?
Dentro de si, mas fora do alcance.
05/98

(Primeiros Momentos, 2001)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DESABAFO DE UM FORMANDO


Ao meu querido ensino médio


Você permanece anos e anos estudando, torcendo que o meio e o fim do ano cheguem logo, pois são as épocas de férias. Sabe que no próximo ano ainda há uma série a concluir. No entanto, quando se encontra na última, você luta para que as aulas durem o máximo: fala, brinca, zoa e estuda - um pouco, é claro!


Mil e uma ideias vêm à sua cabeça: “esse é o meu último ano; participarei de todos os eventos da escola - desfile, quadrilha, gincana, interclasse, bagunça... unirei a turma de um jeito que a solidão... se sentirá só entre nós... Mandaremos na escola; seremos os garanhões; os destaques; todos vão querer nos conhecer, falar com a gente, estar conosco”.


Contudo, quando o ano acabar, você será aprovado e achará que tudo continuará como dantes. Estará enganado; tudo muda! Caso vir um de seus colegas em menos de seis meses, será muito. Todos o esquecerão. Você ninguém se tornará.


“- Caramba! O que faço agora? Só sei estudar e pronto. O que farei? Quero tudo aquilo de volta para minha vida”. O futuro é um ponto de interrogação; sempre uma charada.


Instala-se no peito uma enorme nostalgia. Minha segunda casa, disseram-me um dia, mas não levei a sério. Só agora vejo que estavam certos.


O problema da falta de memória é que conhecemos pessoas e coisas novas, junto de momentos até então não experimentados, fazendo com que esqueçamos tudo aquilo passado em nossa segunda casa: todos os momentos felizes de nossa infância à adolescência.


Tantas pessoas conheceu. Tantas namorou. Tantas amizades. Professores se tornaram pessoas mais chegadas. Frequentou a casa de colegas e eles a sua. Mesmo que algum de seus colegas tenha o decepcionado, você não muda; é muito forte para sofrer pelo erro dele. Você preza a amizade, isto é... ou seja, é um grande ator. Mas o tempo continuará a passar.


Você é uma utopia. Paga mico para que seus colegas e companheiros riam juntos daquilo feito ou dito. Então, é neste momento que você se alegra pelo simples fato de tirar um sorriso de alguém... E nós, amigos... nós nos realizamos...

(Primeiros Momentos, 2001)