sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NOVAMENTE...


Preciso falar, mas quem me ouvirá?
Alguém precisa da minha voz, mas quem me entenderá?
Será somente o vento que percebe a minha presença?
Minha aparência todos veem,
e minha sensibilidade, fragilidade, quem sentirá?
Demonstrei toda emoção, apaixonei-me.
Meu coração sorria com os lábios.
Meu coração ainda sorri... calado e inexpressivo.
Naquela noite festiva,
meus olhos calaram minha emoção,
dizendo com profunda tristeza:
- Não se parta, seja forte.
O coração chorou imensamente, porém foi forte.
Guardei a emoção, a paixão.
Será somente o vento que perceberá.
Muito busquei... seria essa a última paixão...
à qual meu coração tanto se abria?
Mas se fechou.
Encontrei uma amiga distante no meio de tantas pessoas.
Ela abraçou-me fortemente, dizendo:
“- Você está triste? Não me engane. Onde está o seu brilho, a sua alegria?”
Naquele momento, chorei por dentro,
porque queria o carinho dela.
Somente ele e o vento conhecem minha magia.
Sentem minha sensível e frágil alma.
Poucos me percebem, pois guardo tais momentos,
reservando-os como depósito,
para o meu sentimento de amor.
05/98

(Primeiros Momentos, 2001)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

SAGRADA TAMARINEIRA DO CACIQUE DE RAMOS



No Cacique de Ramos, temos o verdadeiro culto à cosmovisão da ancestralidade africana e afro-brasileira. A árvore da tamarineira é a representação viva da essência divina que resiste e nos protege há anos. É a representação do herói ancestral, o samba, que nos alegra e conforta. 

Que essa árvore tenha suas raízes cada vez mais firmes e embrenhadas no solo profundo de nossa consciência, para que nossa cultura em nós seja mais forte e resistente. Que o respeito à natureza, como representação de uma partícula de Deus, faça o homem também se respeitar como representação do mesmo.

Meus respeitos, Tamarineira. Eu a saúdo! Que eu tenha humildade e sabedoria para ensinar aos meus descendentes o respeito que devemos ter.

Saudades do poeta Luiz Carlos da Vila...

Doce refúgio

Sim... é o Cacique de Ramos,
Planta onde, em todos os ramos,
cantam os passarinhos nas manhãs
Lá o samba é alta bandeira
E até as tamarineiras são da poesia guardiãs

Seus compositores aqueles
Que deixam na gente aquela emoção
Seus ritmistas vão fundo
Tocando bem fundo em qualquer coração
É uma festa brilhante
Um lindo brilhante mais fácil de achar
É perto de tudo, é ali no subúrbio
Um doce refúgio pra quem quer cantar

É o cacique pra uns a cachaça pra outros
A religião
Se estou longe o tempo não passa
E a saudade abraça o meu coração
Quando ele vai para as ruas
A vida flutua num sonho real
É o povo sorrindo e o Cacique esculpindo
Com mãos de alegria o seu carnaval
É o Cacique.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

QUANTO TEMPO PASSA...



As pessoas se descobrem.
Os dias vão e vêm
e os sentimentos amadurecem.
Quanto tempo passa...
E as pessoas se conhecem.
Os dias vão e vêm.
E o vento do destino
leva-as pra lá e pra cá,
brincando de pique esconde.
As pessoas passam por perto
e não se encontram, não se veem.
Pisam, respiram o mesmo espaço dimensão - limite.
No entanto, não se encontram,
mas dá pra sentir o aroma que fica.
Dá pra sentir, de maneira cigana,
que as pessoas vão e vêm... pra lá e pra cá.
Impressionante como os sentidos,
os radares, captam os ectoplasmas
dos seres queridos onde o vento
brincalhão não deixa encontrá-los.
Tão perto, mas como distante?
Dentro de si, mas fora do alcance.
05/98

(Primeiros Momentos, 2001)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DESABAFO DE UM FORMANDO


Ao meu querido ensino médio


Você permanece anos e anos estudando, torcendo que o meio e o fim do ano cheguem logo, pois são as épocas de férias. Sabe que no próximo ano ainda há uma série a concluir. No entanto, quando se encontra na última, você luta para que as aulas durem o máximo: fala, brinca, zoa e estuda - um pouco, é claro!


Mil e uma ideias vêm à sua cabeça: “esse é o meu último ano; participarei de todos os eventos da escola - desfile, quadrilha, gincana, interclasse, bagunça... unirei a turma de um jeito que a solidão... se sentirá só entre nós... Mandaremos na escola; seremos os garanhões; os destaques; todos vão querer nos conhecer, falar com a gente, estar conosco”.


Contudo, quando o ano acabar, você será aprovado e achará que tudo continuará como dantes. Estará enganado; tudo muda! Caso vir um de seus colegas em menos de seis meses, será muito. Todos o esquecerão. Você ninguém se tornará.


“- Caramba! O que faço agora? Só sei estudar e pronto. O que farei? Quero tudo aquilo de volta para minha vida”. O futuro é um ponto de interrogação; sempre uma charada.


Instala-se no peito uma enorme nostalgia. Minha segunda casa, disseram-me um dia, mas não levei a sério. Só agora vejo que estavam certos.


O problema da falta de memória é que conhecemos pessoas e coisas novas, junto de momentos até então não experimentados, fazendo com que esqueçamos tudo aquilo passado em nossa segunda casa: todos os momentos felizes de nossa infância à adolescência.


Tantas pessoas conheceu. Tantas namorou. Tantas amizades. Professores se tornaram pessoas mais chegadas. Frequentou a casa de colegas e eles a sua. Mesmo que algum de seus colegas tenha o decepcionado, você não muda; é muito forte para sofrer pelo erro dele. Você preza a amizade, isto é... ou seja, é um grande ator. Mas o tempo continuará a passar.


Você é uma utopia. Paga mico para que seus colegas e companheiros riam juntos daquilo feito ou dito. Então, é neste momento que você se alegra pelo simples fato de tirar um sorriso de alguém... E nós, amigos... nós nos realizamos...

(Primeiros Momentos, 2001)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

NÃO VOTEM EM RELIGIÃO!


ATENÇÃO!

Não votem em candidatos que utilizam de seus segmentos religiosos para promoverem sua campanha... nem em candidatos que têm, como palanque, a proposta de governo exclusivo para os seus pares religiosos.

NÃO VOTEM EM PASTORES, PADRES OU SACERDOTES AFRO-BRASILEIROS EM GERAL.

Não apóiem shows nem showmícios que privilegiem uma única religião. Por uma questão de fascismo, isso já ocorre em vários municípios... show “músico-religioso-catártico” da estrela católica X ou do super-star gospel Y.

O Estado é laico: organização política que garante a liberdade de crença, de culto e a tolerância religiosa. Não significa instituição antirreligiosa ou anticlerical, muito menos exclusividade ou privilégio de uma visão religiosa. Um representante político eleito pela sociedade não pode pensar que atua para e pela sua igreja. A laicidade prevista na Constituição veda à União, Estados, Distrito Federal e Municípios de estabelecerem cultos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com elas ou seus representantes relação de dependência ou aliança,

NÃO VOTEM EM REPRESENTANTES DE IGREJAS QUE NÃO TOLERAM, NÃO RESPEITAM E ATACAM QUEM SEGUE UMA DOUTRINA DIFERENTE DA DELES.

Só com um Estado verdadeiramente pluriétnico e plurirracial, sem política de ênfase a alguma religião, poderemos acreditar na luta contra a discriminação cultural e intolerância religiosa.

Estou cansado de ouvir a torto e a direito impropérios de discriminação cultural. Espero que nossa sociedade, em seu "dom" de criar e de destruir por sua palavra divina, nos livre de pessoas que, num futuro remoto (?), imponham uma limpeza etnicorreligosa. Putz...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MINHA DOUTRINA

Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é singular!
É consciente de seus fatos e atos,
intermediária entre o próprio doce do amor,
que não é melado, nem pouco sem sabor.
É imaginária e inefavelmente harmoniosa.
Associável a todos que a buscam.
Não se importa com a luxúria,
muito menos com a pobreza,
pois tais engloba na vida material.
Amar sem se importar com o amado:
feio, alto, bonito, magro, o amado é sempre igual.
Envergonho–me em generalizá–la,
pois mentes são como impressões digitais,
uma sempre diferente da outra.
Cada um tem sua própria opinião,
mesmo que seja manipulado a outra,
no seu âmago há uma suscitada.
A opinião pedagógica pode construir como destruir.
As faculdades religiosas são assim...
O importante é o resultado beneficiador,
para a arrecadação das mentes duvidosas,
que vagam entre pontos de interrogação,
e, dependendo da religião iluminada,
desvanecem, abraçando a ignorância com a fé,
desanuviando as interrogações dos seus céus.

Minha doutrina não é de todos!
Mas deveria ser plural!
Envergonho–me de assumi–la,
pois a generalizada é a conhecida.
Numa desenfreada vida corrida,
é tão difícil sentir a própria,
que viver é tão simples como respirar.
Querem viver, mas não ligam para a vida.
Somente querem construir a vida material,
e porque muitos não têm o hábito de admirar coisas simples.

Digo vida, união da matéria com o espírito,
que proporciona o toque e o sentido,
a admiração da pura e bela criação.
A vida é efêmera, deve ser vivida.
Tem que haver amor, paixão, calor,
mas não há verdade, sinceridade.
Então, como pode ser o que digo,
puramente, sensivelmente, realidade?

Sim, provo eu, recordando o início.
Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é para loucos!

Mas sabendo que em cada religião existente
há uma pessoa para dizer o mesmo que eu,
que somente com a verdade,
que somente com o caráter, a veracidade da palavra,
com o sentimento que arde dentro do corpo,
de querer fazer e ver o bem,
de ser livre para viver,
inexplicável sentimento bondoso,
que só lá de dentro é que vem.
Que somente com o amor,
amor puro, sem destino,
é que poderemos viver em júbilo e paz.

Minha doutrina não é de todos!
Foi feita para mais do que isto!
Mas somando com os que pensam e a seguem sem saber,
não somos tão poucos assim...

Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é para tolos!


(Primeiros Momentos, 2001)