sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

UM EU PÓS-MODERNO


Eu...
Eu?
Eu?
Eu, onde estás?
Podes me ouvir?
Eu, ascolta-me, por favor!
Não me negues-te.
Procuro, pois é importante para mim.
Pensa o que penso!
Aceita, une-te-me!
Não sumas em mim!
Sejamos juntos nesta viagem,
tua perdição, por mim.
Por favor, sei que sou frágil e tu, uma rocha.
Eu, está comigo nesta empreitada.
Sua tez é pura como nuvem úmida.
Eu, vê-te-me!
Se não sou sua essência, é a minha!
Por favor, sinto vida em mim, fogo sólido.
Há quanto tempo não sentia...
Não te escondas, não faças isso comigo.
Somos apenas um no espaço sem limites.
sua pele me roça, Eu.
Sente comigo.
Bem sei que é um pedido
que não deve ser realizado,
se quero o meu bem.
Tu, Eu, sempre me defendeste e guardaste,
desde que amadureceras e deixaste de brincar
e de te enganares comigo em minhas infantices.
Mas, Eu, vê como é divina sua arcádia.
Eu aspiro a sua companhia, sua voz
a levar-me pelo ar, a negar-me um beijo.
Vê... um beijo para quem deseja hipérboles.
Me nega na multidão.
E nas salas é minha!
Minha! Eu juro a ti, Eu.
É minha!
Esquecemos de tudo e de todos.
É maravilhosa!
É infindo.
Me deseja vorazmente.
Deixo levar-me assim...
Mas não a amo.
Até que anseio da borda de meu sentimento
que transborda.
Mas tu, Eu, não estás comigo
e não deixas me amá-la por inteira.
Tudo bem, Eu!
Por agora, deixar-te-ei jazendo.
Sei que te escondes de mim pelo bem.
Provavelmente, deves imaginar sua intenção.
Foste preparado para isto.
Mas, se conhecesses como a conheço,
te perderias como estou perdido.
Se sentisses o que sinto, quando estou perto,
seu caloroso espírito,
Amarias sem causar-me ciúme.
Se tocasses seu belo corpo como toquei,
se a beijasses como beijei,
Jamais conseguirias recursos para torná-la arte.
Romã fragrante!
Sou perdido pela minha irracionalidade.
Será que não estiveste comigo nesses momentos?
Eu, agora percebo porque temes...
Estavas comigo!
Perdeste a ti também junto a mim
e isso te faz pecador.
Tu a amas como eu e não comigo.
No entanto, me amas mais.
É quem pensa em mim
e não aceita ter sido induzido pela emoção.
Que ótimo!
Amar o que se esquiva é penetrante e amargo.
Eu, tu és os meus pés, minha boca, minha sobriedade.
De mim, meu pescador que nos alimenta.
Continua sendo o Eu
que pensa distintamente de mim,
para que resistamos ao fantástico, à magia,
à fragmentação que somos.