terça-feira, 13 de maio de 2014

CONSULTA AO ORÁCULO


Espelho, interlocutor ao desencanto,
O que se aprende com as derrotas?
O que não é seu será sempre do outro.
As palavras de contentamento são vazias,
Saudação por educação.

O que fazer após a derrota?
Embriagá-la... Depois...
Descansar.
Amanhã é outro dia.
Amanhã é apenas outro dia.
É preciso acordar cedo para trabalhar,
Passar um sorriso nos lábios,
Maquiar o rosto com pó de alegria.
Ninguém tem culpa de seus fracassos.
Ninguém merece seu mau humor.
Ninguém merece sua grosseria.

O que fazer com o sonho sonhado acordado?
E a construção de um tempo futuro psicológico?
Esquecer o mito?
Importa?
Voltar à verdade,
Atos repetidos do cotidiano.
Não temer a zombaria
Por conta da pretensa intenção de abandonar a realidade.

Espelho, encantador de tristezas,
Onde foi o erro?
O outro não explica.
Quem laureia não se importa.
O vencedor quer festejar.
A pergunta deve ser introspectiva.

Quem pode explicar o fracasso?
Como não pode haver sucesso
se a dedicação se dá pela paixão?
Somente os divinos humanos podem explicar aos humanos deuses.
Não culpe seus mitos e medos.

Primeira estrela a surgir no céu,
Eu não a culpo.
Aquele que pode alterar a data da morte,
Eu não o culpo.
O senhor que modela os pensamentos humanos,
Não o culpo.
Ave que rege a vida uterina,
Não a culpo.
Meu herói ancestral mítico,
Eu não o culpo.
Meu cérebro, meu self,
Eu não o culpo.
O destino do meu corpo,
Não o culpo.

Se a vitória é sentida certa,
por que não a aprovação?
Não era para ser
Para você
O que era para ser
Para outro.
O humano prepara os obstáculos mediante os seus assinalados,
seus pares.

Espelho, reflite luz.
Que sacrifício o oráculo orienta?
Rememore a luta primordial.
O rito mantém vivo o mito
E o fortalece.
Se o encanto for desencantado...
reencante.